6/3/08
O MST EM TAIÓ
Justiça bate o martelo
09 de Fevereiro de 2008
Com uma calma que transmitia segurança e ponderação o juiz elogiou a conduta das partes durante as negociações, pediu respeito ao Movimento que luta por seus interesses. Falou sobre a maturidade da população em resolver seus problemas. “O movimento sem-terra compreendeu a necessidade neste momento de se retirar do local onde estava”. Isso segundo o juiz só foi possível pela boa vontade demonstrada pelas pessoas que estão presentes. Segundo a sentença, os integrantes do MST deverão desocupar a área do litígio até as 8horas da noite de hoje dia 8 de fevereiro. O não atendimento desta sentença implicará a retirada à força. A Prefeitura deverá ceder o transporte necessário aos integrantes do MST até um assentamento em Santa Terezinha. Existem três no município: Nova Conquista com 8 famílias, Morro do Taió com 34, e o assentamento 25 de Maio com 51 famílias.
Sem-terras são transferidos para o assentamento 25 de maio.
A quinta-feira foi o dia mais esperado pelos envolvidos diretamente na invasão pelo MST e, também para a população de Taió e região. Antes das 8h da manhã já havia um número considerável de empresários, comerciantes, funcionários diante do Fórum de Taió, para acompanhar as audiência e esperar pela sentença do Juiz agrário Silvio José Franco que veio de Chapecó para intermediar o conflito e encontrar uma solução pacífica. Antes mesmo de começar a audiência o assessor jurídico do MST João Carlos Santin, já aguardava no andar térreo com uma pilha de documento em baixo do braço, confiante numa decisão favorável em benefício do MST. “é inadmissível que alguém seja dono de dez mil hectares de terra”. Santin também disse que era uma ignorância do povo taioense a forma como recebeu o movimento na cidade.
As 9h os interessados já estavam dento da sala de audiências esperando pelo juiz que abriu a audiência 20 minutos depois. Segundo Franco a Justiça Agrária no Estado funciona desde e ano de 2000. Em 2007 foram realizadas 26 audiências que “levaram paz e tranqüilidade ao campo”. O juíz disse que mais importante do que reconhecer o direito de posse da terra e o direito de lutar pela terra, é reconhecer por trás da disputa o elemento humano que deve ter sua integridade preservada. “ a luta por um pedaço de terra á tão justa como a luta pela defesa da terra”. O juiz deixou claro o que pretendia com os envolvidos. Uma solução de consenso.
Passava um pouco das 9h30min quando o juiz levou as duas partes para dois espaços reservados e tratou com cada uma delas à portas fechadas. Enquanto isso lá fora integrantes do MST que chegaram num ônibus da Taioense a comunidade local transformava o pátio do fórum numa arena onde acontecia outro combate. Enquanto os coordenadores do MST se limitavam a olhar de braços cruzados, as crianças gritavam palavras de ordem “Brasil, Cuba, América Central, a luta socialista é internacional. Somos seguidos de Ernesto Che Guevara e lutamos por reforma agrária” ou “bandeira, bandeirinha, o futuro da reforma agrária está nas mãos dos sem-terrinhas”. A população rebatia as manifestações com palavras que pediam a saída da cidade e mandava os sem-terras trabalhadores, alguns mais exaltados usaram palavras como “vagabundos” e “bagunceiros”.
A ordem no local ficou por conta da Polícia Militar, do Bope e também da cavalaria. As 11h o juiz chamou o prefeito José Goetten de lima para participar da reunião. Além dos envolvidos diretamente no litígio e seus advogados, participaram da audiência a representante do Ministério Público de Taió, a promotora de justiça Andréa Gevaerd e o ouvidor agrário do Incra Fernandes Lúcio Rodrigues de Souza. Para evitar um confronto que parecia cada vez mais eminente, as 11h23min a cavalaria isolou os integrantes do MST atrás do Fórum.
Faltavam dez minutos para o meio-dia quando um ônibus da taioense chegou no Fórum para levar os manifestantes até o acampamento. Era o sinal que já havia um acordo, só não se sabia qual. Era 12h05 minutos quando o juiz retomou a audiência e revelou o acordo.
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